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Audiência
Pública discute, com coordenação de Giannazi,
a desapropriação de imóveis para ampliação
de Congonhas
18
Fevereiro de 2009

Com
o Auditório Franco Montoro lotado de moradores
do entorno do Aeroporto de Congonhas, preocupados
com as notícias veiculadas pela imprensa
de que o município de São Paulo, o Estado
e a União têm um plano de desapropriação
de milhares de imóveis na região do bairro
do Jabaquara para a ampliação da pista de
pouso e de decolagem, o deputado Carlos
Giannazi coordenou os trabalhos de uma Audiência
Pública, realizada no dia 17 de fevereiro,
para discutir a questão.
À
mesa, além do parlamentar, estavam representantes
de várias associações de moradores e de
vítimas de acidentes aéreos: Sérgio Palmieri,
da Associação dos Familiares e Amigos das
Vítimas do Vôo TAM JJ 3054 (AFAVITAM); Edwaldo
Sarmento, do SINDIMEST; Luiz Carlos Dall
e René Pimentel Cadaval Júnior, da Associação
dos Moradores do Entorno do Aeroporto de
Congonhas (AMEA); Lygia Horta, da Associação
dos Moradores e Amigos de Moema;; Sandra
Assali, da Associação Brasileira de Parentes
e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos
(ABRAPAVVA) e o comandante Carlos Camacho,
do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).
Apresentados a uma farta documentação detalhada
pela mesa, que reproduziu minúcias de relatórios
de secretarias e órgãos públicos, depoimentos
de autoridades, testemunhos de moradores
e pareceres técnicos, as centenas de pessoas
que lá compareceram puderam acompanhar as
experiências vividas por cada depoente.
Explicações técnicas e histórias pessoais
encontraram, no auditório, ressonância por
conta da apreensão que cada morador está
vivendo por conta do anúncio da extensão
da pista e da conseqüente desapropriação
para tanto. De acordo com a imprensa seriam
1100 metros de comprimento a mais de pavimento
(incluindo as áreas de escape) em um negócio
de cerca de R$ 500 milhões a título de desembolso
às desapropriações, derrubando cerca de
2 mil imóveis.
Frases
Nesse
encontro na ALESP, algumas frases, experiências
de luta e de responsabilidade profissional
— e lembranças — tomaram conta do debate.
Lygia Horta trouxe à memória os tempos de
funcionamento 24 horas ininterruptas de
Congonhas; Sandra Assali comentou da quase
impossibilidade de se acabar com a operação
no aeroporto; o piloto Carlos Camacho reiterou
a necessidade de adaptação deste terminal
aeroportuário para aeronaves pequenas e
salientou o interesse e a força financeira
das grandes empresas em manter suas operações
no local. A palavra também foi aberta aos
demais componentes da mesa, assim como aos
que se inscreveram para dar sua contribuição
ao debate. Para esse encontro ocorrido no
último dia 17 foram convidadas, ainda, as
secretarias do Verde e do Meio Ambiente
( para comentar sobre o controverso relatório
de impacto ambiental – RIMA - já tornado
público) e da Habitação da prefeitura paulistana,
bem como a Infraero, mas oficialmente não
enviaram representantes.
Carlos
Giannazi, que também lembrou aos presentes
sobre a força dos três poderes executivos
envolvidos (e unidos) no projeto, salientou
que é preciso união das associações para
impedir o avanço da proposta de desapropriação.
“Unidos vamos pressionar e expor os motivos
pela não ampliação e, até, pelo fim da operação
de Congonhas, se assim a deliberação de
uma consulta popular sinalizar”, acrescentou
ele, que ainda lançou uma Frente Parlamentar
a fim de colher assinaturas de outros deputados
para organizar a luta dentro da Assembleia
e servir de fórum oficial aos debates na
Casa.
Problemas
de toda ordem
Além
da ausência da população nas conversas que
ora acontecem na esfera do poder público,
por conta do plano de ampliação da pista
de Congonhas e sua inevitável conseqüência,
há outros problemas acarretados na esteira
desse polêmico investimento bilionário que
se avizinha. Há vários dramas envolvidos
nessa questão, como o medo dos moradores
pela queda de aeronaves com o tráfego intensificado
por essa ampliação, a desvalorização já
corrente dos imóveis residenciais/comerciais
e, entre outros, o receio de que as pessoas
recebam, numa última instancia, indenizações
pífias pela desocupação de suas propriedades.
Para
Giannazi o Aeroporto de Congonhas é um verdadeiro
‘porta-aviões’ que pode explodir a qualquer
momento. "Não podemos esperar mais
e pagar para ver um novo acidente aéreo
em Congonhas", disse ele, afirmando
que a poluição sonora, do ar e a alta rotatividade
de aviões tem prejudicado e comprometido
a saúde e a vida dos milhares de moradores
da região, bem como o funcionamento de escolas
e hospitais.
Busca
de soluções
A
Audiência Pública acabou encaminhando algumas
ideias que surgiram em torno das discussões.
O deputado Carlos Giannazi vai estudar,
juridicamente, se há viabilidade de se fazer
um plebiscito (consulta popular) para saber
se as operações de Congonhas devem ou não
devem continuar. No entanto, reiterou o
parlamentar, é necessário que haja mobilização
popular unificada pela defesa dos interesses
da população do entorno de Congonhas. Também
ficou acertada uma agenda para uma nova
Audiência Pública na ALESP (daqui a 30 dias)
e uma reunião com o prefeito Gilberto Kassab.
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