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Moradores
apelam ao MP contra Congonhas
Vizinhos
exigem anulação do EIA-Rima e dos planos
de expansão
Valéria
França
22
de Abril de 2009
A
possível ampliação do Aeroporto de Congonhas,
na zona sul de São Paulo, virou o pior pesadelo
dos paulistanos que vivem nas redondezas.
Eles já fizeram passeatas e protestos. Há
duas semanas, apertaram o cerco, ao conseguirem
que o deputado Carlos Gianazzi (PSOL) apresentasse
um projeto de lei, e, na sexta-feira, entraram
com uma representação no Ministério Público.
Tudo para restringir o crescimento do aeroporto.
O
documento entregue à Justiça é um relatório
detalhado das cinco principais associações
de moradores dos bairros adjacentes contestando
o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental
(EIA-Rima), do Aeroporto de Congonhas, uma
espécie de raio X da região, que avalia
as vantagens e desvantagens de ter um vizinho
como esse. Alvo de críticas, o estudo passou
por mudanças. Mesmo assim, os moradores
consideram o trabalho "falho, com problemas
técnicos, e cheio de contradições".
"Faltaram
pesquisas de campo que poderiam avaliar
com precisão o impacto do aeroporto na vida
das pessoas", diz Edwaldo Sarmento,
vice-presidente da Associação dos Moradores
do Entorno do Aeroporto de Congonhas, um
dos redatores do documento entregue no Ministério
Público, com cópia para Eduardo Jorge, secretário
municipal do Verde e Meio Ambiente, órgão
responsável pela análise do EIA-Rima. "Com
haveria mudança na Prefeitura, pedi agilidade
no processo (no ano passado)", disse
Eduardo Jorge, na segunda audiência pública
do EIA-Rima, justificando a pressa com que
o estudo foi feito. "Não sabia se ficaria
no cargo, e queria deixar isso como missão
para o meu sucessor." Se aprovado o
relatório, o Conselho Municipal do Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pode
dar a licença antes do final do ano.
"Em
Congonhas, as pessoas precisam entender
que se trata de um estudo de impacto do
aeroporto e não da ampliação da pista",
diz Paulo Sergio Ramos, diretor de Engenharia
e Meio Ambiente da Empresa Brasileira de
Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
" Existe um projeto nesse sentido,
mas em análise no Ministério da Defesa.
Se aprovado, terá de ser feito um novo EIA-Rima.
Esse aqui não vale", garante.
SEGURANÇA
O
medo dos moradores é que o EIA-Rima seja
usado como instrumento legal de uma futura
ampliação, que está nos planos da Prefeitura
de São Paulo. Há dois anos, Gilberto Kassab
levou esse projeto ao Ministério da Defesa,
com a justificativa de que o aeroporto necessitaria
de uma área maior de escape, para aumentar
a segurança dos pousos e decolagens. Os
moradores destacam que o relatório analisa
cinco cenários, um deles avalia a polêmica
ampliação da pista do aeroporto, que pularia
dos atuais 1,9 mil metros para cerca de
2,7 mil metros de extensão. Ali estão descritas
algumas vantagens da obra, entre elas "menor
impacto sonoro pela maior altitude em relação
à atualmente exercida sobre áreas habitadas
extra-campo".
Para
uma obra dessas sair do papel seriam necessárias
cerca de 2 mil desapropriações, uma vez
que a pista do aeroporto está praticamente
no quintal de várias empresas e casas que
ficam nas proximidades da Rua Pedro Bueno,
no Jardim Jabaquara.
A
Infraero rebate afirmando que os cinco cenários
são hipotéticos, mas obrigatórios na formulação
do EIA-Rima. "Temos melhorias previstas
apenas no pátio de manobras das aeronaves",
diz Ramos. Os moradores exigem um estudo
mais profundo e claro.
O
relatório aponta, por exemplo, que os drenos
em forma de escada, colocados na pista logo
depois do último acidente - quando o Airbus
A320 derrapou na pista, atravessou a Avenida
Washington Luiz e bateu num hangar da TAM
em 2007, matando 199 pessoas - , aumentaram
a segurança dos pousos e decolagens. Mas
não mostra as consequências da obra na região.
"A Rua Pedro Bueno não alagava, agora
os carros não passam em dia de chuva na
altura do número 745", diz Luiz Carlos
Dall, comerciante e morador da região, de
57 anos. O distribuidor de peças Marcos
Serikawa, de 37, teve de colocar uma válvula
de retenção de água na casa onde mora, na
Rua Freire Farto, paralela à Pedro Bueno.
"O
aeroporto avança cada vez mais nas áreas
vizinhas", diz Dall. "Quando era
jovem, no lugar onde hoje está a cabeceira
da pista que dá para a Rua Pedro Bueno,
havia um campo de golfe", conta. O
aeroporto surgiu na década de 30 com uma
pista de 300 metros de extensão. Quando
o metrô chegou ao Jabaquara, a terra retirada
foi usada para a construção da pista de
Congonhas. "Ela foi avançando aos poucos,
soterrou cachoeira e campos verdes até chegar
ao quintal de nossas casas. Agora fala-se
em derrubar casas."
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