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Censura
à central gay condenada
Vereador
do DEM critica abertura de serviço público
para comunidade GLS e é acusado de homofobia
21
de maio de 2010
anuncie! JOÃO CARLOS MOREIRA
jcmoreira@diariosp.com.br
O
vereador Carlos Apolinario é líder do DEM
na Câmara Municipal, portanto do mesmo partido
do prefeito Gilberto Kassab, mas na quarta-feira
fez discurso típico de oposicionista contra
uma iniciativa do aliado. O parlamentar
ocupou a tribuna do plenário para criticar
a primeira central de informações turísticas
para o público gay da cidade, criada há
poucos dias pela Prefeitura na Rua Frei
Caneca, reduto do público GLS na região
central da capital.
O
discurso foi acompanhado sem críticas pelos
vereadores presentes à Câmara, mas o DIÁRIO
foi ouvir um antigo companheiro de debate
de Apolinario sobre o tema. O deputado
estadual Carlos Giannazi (PSOL) já foi vereador
e teve várias discussões com o líder do
DEM por causa da defesa que faz da comunidade
gay. “Ele (Apolinario) argumenta que não
tem nada pessoal contra os homossexuais,
mas as declarações dele, os projetos e as
posições são extremamente homofóbicos”,
disse o deputado.
Em
seu pronunciamento, Apolinario reclamou
do tratamento exclusivo a gays, lésbiscas
e travestis na central de atendimento turística.
“Do jeito que as coisas estão indo, logo
alguém vai apresentar um projeto transformando
São Paulo na capital gay do país”, discursou
o líder do DEM, de acordo com reportagem
do jornal “O Estado de S. Paulo”. Segundo
o parlamentar, não deveria haver tratamento
diferenciado ao público gay. Ele ainda questionou
a decisão de Kassab de autorizar servidores
travestis a usar o nome social em vez do
nome original.
“A
Prefeitura vem adotando bom tratamento ao
público homossexual. É das poucas iniciativas
positivas da administração”, argumentou
Giannazi. Para o deputado, discursos como
o de Apolinario fortalecem a discriminação
contra gays e lésbicas. “O tratamento diferenciado
que se dá a esse segmento é necessário,
já que é um público muito discriminado e
até perseguido por skinheads, neonazistas.
Ninguém é discriminado por ser heterossexual”,
afirmou ele.
Evangélico,
Apolinario nega qualquer discriminação.
“O problema não é ser gay, mas sim que eles
querem que fiquemos calados. Qualquer crítica
é vista como homofobia. Você pode criticar
padres, pastores, quem você quiser, mas
não pode falar nada que desagrade aos gays”,
argumentou o vereador. “Sou contra tratamento
diferenciado a qualquer grupo. A Prefeitura
e o Ministério Público assinaram acordo
que impede a Marcha de Jesus na Paulista.
Já a Parada Gay foi autorizada”, reclamou.
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