.
Frente
parlamentar GAY de S.Paulo vai pressionar
Congresso Nacional pela aprovação da Lei
que criminaliza a homofobia
Fonte:
AgênciaAids
11 de Novembro 2007
Carlos
Giannazi (PSOL – SP), idealizador da Frente
parlamentar gay, em seu gabinete na Assembléia
Legislativa de São Paulo
Dentre
94 deputados estaduais, apenas 16 ingressaram,
até o momento, na “Frente Parlamentar em
Defesa da Comunidade GLBTT”. Isso representa
cerca de 17% do número total de deputados
da Assembléia Legislativa do estado mais
rico do país. A iniciativa, oficializada
na noite de 24 de outubro, é do ex-professor
universitário Carlos Giannazi.
Atual
líder da minúscula bancada do Partido Socialismo
e Liberdade (PSOL) na Assembléia Legislativa
de São Paulo (composta por apenas dois parlamentares),
Giannazi não acredita que a frente ganhe
muitos adeptos até 15 de março de 2011,
quando se encerra a atual legislatura.
“A
Assembléia Legislativa é conservadoríssima.
Aqui é um reflexo da sociedade. Tem um setor
progressista, mas é pequeno”, avalia o deputado.
O lançamento da Frente, que reuniu cerca
de 50 pessoas ao longo de toda a cerimônia
(de acordo com Giannazi), aconteceu na sede
da Assembléia Legislativa de São Paulo,
que fica na zona sul da capital paulista.
Além
dos parlamentares que compõem a Frente,
a Prefeitura de São Paulo também participou
do evento, por meio de representantes da
Coordenadoria de Assuntos da Diversidade
Sexual (CADS), órgão municipal que deve
acompanhar e propor políticas públicas voltadas
aos homossexuais paulistanos.
“Não
têm políticas públicas de proteção à comunidade
GLBTT [gays, lésbicas, bissexuais, travestis
e transexuais]”, entende Carlos Giannazi.
“A gente tá querendo envolver a Frente em
alguns projetos específicos”, afirma o deputado
estadual do PSOL..
Giannazi
explica que os parlamentares ligados a Frente
vão pressionar os seus pares, no Congresso
Nacional, pela aprovação do Projeto de Lei
que criminaliza a homofobia em todo o país.
“Eu
sou otimista se houver pressão popular,
se depender só do Congresso não passa”,
acredita Carlos Giannazi, referindo-se ao
projeto de lei que está tramitando no parlamento
federal. “O Senado é muito conservador”,
avalia.
De
acordo com Giannazi, outra proposta da Frente
é que a iniciativa tenha caráter “itinerante”,
ou seja, que visite periodicamente cidades
de todo o estado de São Paulo. “A gente
tá recebendo denúncias [de abuso policial]
do interior”, esclarece. “Nós estamos criando
um cronograma de atividades [da Frente]”,
explica o deputado.
Durante
a entrevista de cerca de 40 minutos, concedida
pelo parlamentar em seu gabinete (localizado
no 1º andar da Assembléia paulista), Carlos
Giannazi também falou sobre o Autorama,
tradicional ponto de encontro gay da capital
paulista.
Segundo
Giannazi, o local, que fica ao lado do Parque
do Ibirapuera (situado na zona sul de São
Paulo), tem sido alvo freqüente de investidas
policiais. O parlamentar pretende “pressionar
a polícia e a Prefeitura” paulistana em
defesa dos homossexuais que freqüentam o
lugar.
“Sempre
tem denúncias [de abuso policial no local].
Nós já fomos lá várias vezes. Por que ela
[a polícia] não vai na Vila Olímpia fazer
o mesmo”, indaga Carlos Giannazi. A Vila
Olímpia, também localizada na zona sul de
São Paulo, é um dos bairros mais nobres
da capital paulista.
“Eu
sempre trabalhei na educação mostrando a
questão do preconceito”, explica. “O professor
é homofóbico”, avalia Carlos Giannazi. Formado
em pedagogia e história, o deputado já foi
diretor de escola municipal e professor
universitário (saiba mais).
Para
o parlamentar do PSOL, o movimento gay “cresceu
um pouco” nos últimos anos. Ele enxerga
algum “avanço”, mas trata-se de uma melhoria,
na sua avaliação, que está “muito aquém
do que nós queremos”. Embora diga que a
Frente vai organizar debates e palestras
junto à sociedade, Giannazi ressalta que
é necessário “fazer a luta aqui mesmo”.
“O inimigo está aqui”, diz o parlamentar,
referindo-se a atual legislatura, que ele
considera conservadora.
|