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O
ocaso da Ordem dos Músicos do Brasil
Artigo
do deputado Carlos Giannazi
19
de fevereiro de 2010
A
OMB, criada pela Lei 3.857/1960 ainda no
governo Juscelino Kubitschek, vive os seus
últimos momentos, agonizando em praça pública,
sem representatividade e sendo odiada pela
maioria dos músicos do Brasil.
A
Ação (ADPF) que nosso mandato impetrou no
STF para pôr fim à Ordem, por intermédio
do Ministério Público Federal, já recebeu
pareceres favoráveis da Advocacia Geral
da República, da Procuradoria Geral da República
e das presidências da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal. Ainda no campo das
instituições, de modo geral o poder judiciário
tem emitido sinais de que vê abusos e descumprimentos
da lei, por parte da OMB, quando recebe
mandados de segurança impetrados por músicos
e concede liminares a esses trabalhadores
em todo o país para que fiquem isentos da
fiscalização dessa anacrônica autarquia.
Inúmeras
ações dos ministérios públicos em diversos
estados também questionam a obrigatoriedade
do pagamento de anuidade, pelos músicos,
à OMB. No estado de São Paulo, por exemplo,
aprovamos a Lei Estadual 12.547/07 (sancionada
pelo executivo estadual), que está em pleno
vigor e promove a dispensa, aos músicos
e estabelecimentos, da obrigatoriedade da
apresentação da carteira da Ordem dos Músicos
do Brasil.
Mais
recentemente uma decisão do Tribunal Regional
Federal da 3ª Região, por meio de Acórdão
publicado no Diário Oficial do Judiciário
no dia 14 de novembro de 2009, impede a
OMB de fiscalizar os músicos na cidade de
São Carlos e região bem como exigir deles
a inscrição na entidade. No documento o
desembargador federal Carlos Muta argumenta
que a sentença garante à categoria, que
trabalha na área abrangida por ela, o direito
de exercício da profissão, afastando-se
as exigências de prova, inscrição na OMB
e sujeição ao regime disciplinar específico.
A
decisão da Justiça Federal, fruto de uma
Ação Civil Pública do Ministério Público
Federal, atende a uma antiga reivindicação
dos músicos brasileiros que são assediados
pela entidade, sendo obrigados a se filiarem
a ela para poderem trabalhar. Trata-se de
uma vitória, ainda que inicial, do movimento
organizado desses artistas e estamos agora
tomando as medidas jurídicas para que essa
decisão seja estendida para todo o território
paulista.
Além
de termos organizado uma Audiência Pública
no ano passado para, com os músicos, discutirmos
ações conjuntas no intuito de colocarmos
um fim nas atividades persecutórias da OMB,
criamos na ALESP a Frente Parlamentar em
Defesa dos Músicos e Compositores do Estado
de São Paulo (coordenada pelo nosso mandato)
e um serviço de Disque-Denúncia no gabinete
— fones (11) 3886-6686/6690 — contra a Ordem
dos Músicos do Brasil, com o propósito de
receber as denúncias de assédio de seus
fiscais e levá-las ao Ministério Público.
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