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Leia
aqui o artigo de Carlos Giannazi sobre a
exploração dos pedágios no estado de São
Paulo. O texto foi publicado recentemente
pelo jornal 'Correio Popular", de Campinas.

23 de janeiro de 2010
Opinião
A farra dos pedágios
O avanço vertiginoso da
implantação de praças de pedágio nas estradas
paulistas tem chamado a atenção e causado
a indignação da população do Estado, não
só de quem utiliza tais rodovias, mas também
das pessoas que compreendem que o dinheiro
deixado nas cabines dos pedágios é posteriormente
cobrado dos consumidores de mercadorias
das prateleiras dos supermercados, em especial
nos produtos da cesta básica, aumentando
com isso o custo de vida em São Paulo.
Já são mais de 160 praças
de arrecadação sem contar as dezenas que
estão sendo implantadas. Em algumas regiões,
esses pedágios chegam ao absurdo de dividir
cidades ao meio obrigando os seus moradores
a pagar para ir à padaria, levar os filhos
à escola, ir para a igreja, ao trabalho
ou ao posto de saúde, como é o caso do pedágio
instalado no km 26 da Rodovia Anhanguera
e nas 13 praças erguidas no Rodoanel Mario
Covas. A reclamação também é endereçada
ao governo federal, que vem pedagiando as
rodovias federais como a Régis Bittencourt
e a Fernão Dias sendo que, nesta última,
ao menos em duas cidades paulistas (Vargem
Grande Paulista e Mairiporã), a concessão
também impõe a danosa consequência da divisão
a elas, mesmo com valores inferiores aos
cobrados nas rodovias estaduais.
Tudo isso sem contar com
os altíssimos e escandalosos preços cobrados
pelas concessionárias, muitas delas controladas
por grandes empreiteiras, financiadoras
de campanhas de governadores e deputados.
Os moradores de Indaiatuba, por exemplo,
são obrigados a pagar R$ 17 para irem a
Campinas. O paulistano que seguir para as
cidades da Baixada Santista será extorquido
em mais de R$ 20 para percorrer, na média,
80km. Matérias publicadas recentemente pela
imprensa diária mostram claramente os abusivos
preços cobrados dos cidadãos e os estratosféricos
lucros das empresas concessionárias.
A Artesp, que deveria controlar
e coibir esse assalto em praça pública contra
a população, não passa de uma avalizadora
dos interesses das milionárias empresas
concessionárias agraciadas com estradas
construídas pelo dinheiro público.
No entanto, temos, pela
Assembleia Legislativa de São Paulo, acionado
os ministérios públicos estadual e federal
para que o direito constitucional de ir
e vir e de livre locomoção sejam garantidos,
bem como a Lei Estadual 2481/53, ainda vigente
e que proíbe a cobrança de pedágio num raio
de 35 km a partir do marco zero da cidade
de São Paulo, seja respeitada. Temos mais
de 12 praças de pedágios na região da Grande
São Paulo violando essa legislação.
A sanha privatista do atual
governo estadual parece não ter limites
e certamente compõe o DNA político e ideológico
do tucanato, que levou recentemente o governador
José Serra a anunciar o pedagiamento do
Rodoanel, trecho sul, que ainda está em
construção, obra esta feita com o dinheiro
dos suados impostos e que será entregue
de mão beijada para o capital privado. Já
se paga o IPVA e tantos outros impostos
justamente para que o governo mantenha as
estradas em condições adequadas de segurança
e manutenção. Essa é uma das funções do
estado.
Aqui se registra a crítica
aos argumentos daqueles que tentam justificar
e legitimar a existência de pedágios em
São Paulo, fazendo comparações com estradas
de outros estados que não têm cobrança de
taxas e, no entanto, encontram-se degradadas.
Não dá para aceitar não só esse argumento
como o “privatismo” irrestrito promovido
pelo atual governo. O nosso mandato já apresentou
vários projetos de lei para impedir que
a farra dos pedágios tenha continuidade
em São Paulo, porém a base governista não
permite que eles prosperem e sejam, sequer,
discutidos e levados para votação.
A população deve também
se mobilizar e pressionar parlamentares,
prefeitos e o próprio governo a pôr fim
na “privataria” dos pedágios no Estado de
São Paulo. Só a sociedade civil, organizada
através de mobilização e manifestações públicas,
é que poderá vencer o poderio econômico
das concessionárias e obrigar os três poderes
a agirem em defesa da população paulista,
que já é vítima de uma das cargas tributárias
de maior dimensão do mundo sem ter a contrapartida
social.
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Carlos Giannazi é deputado estadual (PSOL)
na Assembleia Legislativa de São Paulo.
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