DEPUTADO ESTADUAL CARLOS GIANNAZI – MOÇÃO DE APOIO AO TEATRO OFICINA

 

– A FORÇA DA GRANA QUER DESTRUIR O TEATRO OFICINA –

 

 

A mais antiga companhia de teatro em função do país, um marco importantíssimo da cultura nacional e referência internacional, está ameaçada pela força da especulação imobiliária. O Deputado Estadual Carlos Giannazi acompanha a questão desde o início, apoiando o Teatro e o seu fundador, José Celso Martinez Corrêa, contra os interesses do Grupo Silvio Santos.

 

O Teatro Oficina, no bairro do Bixiga, pode ficar “encaixotado”, descaracterizando o projeto premiado da arquiteta Lina Bo Bardi. O grupo Silvio Santos vem buscando, desde 1997, a aprovação para projetos de ocupação dos terrenos que adquiriu ao lado do teatro. Recentemente, o Condephaat mudou seu posicionamento histórico e passou a permitir a construção de dois edifícios residenciais e um comercial, os três com 28 andares.

 

O Secretário de Estado da Cultura, José Luiz Penna, tem o poder de vetar este ataque à memória artística e ao patrimônio cultural. É o que queremos e exigimos!

 

Entenda a história:

 

O grupo

De todas as companhias de teatro atuantes hoje no país, a Teatro Oficina é a mais antiga, funcionando desde 1958 sob a direção de um de seus fundadores, o ator e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa. Desde então, o grupo tem se mantido como referência mundial, renovando-se continuamente. Uma das características cênicas desenvolvida pela companhia, ainda quando o teatro tinha arquitetura tradicional, foi o de revelar os mecanismos de cena e a manipulação dos cenários. Depois, veio uma interação cada vez maior com o público.

 

O espaço

Entre 1984 e 1994, essa característica do grupo teatral foi levada ao extremo no processo de reforma comandado pelos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito. Deixou de existir uma fronteira entre palco, plateia e cidade. O espaço cênico é uma passarela central com 50 metros de comprimento, como uma rua, e os espectadores sentam-se nas laterais, na altura do palco ou em plataformas superiores, montadas sobre estruturas tubulares. E a inserção com o espaço urbano se dá através de uma enorme janela lateral de 120 m². A solução encontrada há três décadas para o imóvel da rua Jaceguai, com apenas 10 metros de largura, foi tão inovadora que sua arquitetura foi vencedora da Bienal de Praga, em 1999, e mesmo em 2015, o prédio foi considerado pelo jornal inglês The Guardian o melhor e mais intenso teatro do mundo.

 

A história

Em quase 60 anos de atuação, a Companhia Teatro Oficina nunca buscou a comodidade de um repertório comercial. Ao contrário, desde o início buscou experimentos estéticos e nunca fugiu da polêmica, realizando montagens como ‘Na selva das cidades’, ‘Galileu Galilei’, ‘Os pequenos burgueses’ e ‘Roda viva’. Depois do incêndio de 1966, que ocorreu após sucessivas ameaças telefônicas, o espaço foi reformado e abrigou, em 1967, a encenação de O Rei da Vela, obra do movimento antropofágico de Oswald de Andrade, que catalisa o movimento tropicalista, influenciando músicos, poetas e outros artistas.

 

O reconhecimento

O trabalho que a Companhia Teatro Oficina realiza no bairro do Bixiga recebeu reconhecimento oficial em 1982, quando o espaço, ainda antes da intervenção de Lina Bo Bardi e Edson Elito, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) como bem histórico e cultural, medida que protege não só o teatro, mas toda a área envoltória em um raio de 300 metros. O imóvel, que era alugado, também foi desapropriado pelo Estado e destinado à administração do grupo teatral. Em 2003, o prédio foi tombado também pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e, em 2010, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

O golpe

Zé Celso buscou o tombamento e a desapropriação do Teatro Oficina junto aos órgão oficiais justamente como forma de proteção contra uma ameaça que há duas décadas projeta suas sombras nos casarios do bairro do Bixiga. O grupo Silvio Santos vem buscando, desde 1997, a aprovação para projetos de ocupação dos terrenos que adquiriu em torno do teatro e de outros imóveis tombados na região.

Recentemente, o Condephaat mudou seu posicionamento histórico e passou a permitir a construção de dois edifícios residenciais e um comercial, os três com 28 andares. Isso causará um enorme impacto não só no Teatro Oficina, que ficará encaixotado e sem o efeito de integração à cidade pretendido com o janelão projetado por Lina Bo Bardi, mas a todo o bairro do Bixiga.

 

O Bairro

Com ruas estreitas e casas geminadas, o Bixiga abriga um terço dos imóveis tombados na cidade. O empreendimento proposto descaracterizaria o bairro operário e causaria impacto negativo também em outros prédios pertencentes ao patrimônio histórico protegido. Além disso, um empreendimento de alto padrão nessas dimensões acabaria por encarecer o custo de vida na região, expulsando a população mais pobre.

 

O Sonho

A construção de um teatro de estádio na área em torno do Teatro Oficina é um sonho antigo de Zé Celso, que foi compartilhado pela arquiteta ítalo-brasileira. Como acreditava que, no futuro, o teatro seria ampliado para toda a quadra, Lina deixou os esboços prevendo a derrubada do muro dos fundos e da área envidraçada, integrando o Oficina a um teatro de estádio público, em “uma experiência germinal de uma outra cidade”, que ampliasse a participação das classes trabalhadoras.

Por um breve período, em 2010, Zé Celso realizou esse sonho, quando, após ter sido impedido de construir no local, Silvio Santos cedeu o terreno para a montagem do projeto Dionizíacas, com uma arena itinerante capaz de receber um público de 2 mil pessoas.

 

A luta

Esse sonho não acabou. O Teatro Oficina pode não somente ser preservado em sua concepção arquitetônica, como pode ser ampliado, trazendo à realidade um teatro de estádio abraçado pelas “Oficinas de Florestas”.

Temos que lutar, em primeiro lugar, para que qualquer empreendimento no local seja barrado. Não cabe mais recurso ao Condephaat, mas o secretário de Estado da Cultura, José Luiz Penna, tem o poder de vetar essa decisão, por isso deve ser pressionado para que se mantenha ao lado da cultura e do meio ambiente, já que o terreno em questão é uma das últimas áreas verdes no centro de São Paulo.

O empreendimento também pode ser barrado no Conpresp e no Iphan, bem como nos demais órgãos responsáveis pelas autorizações necessárias para obtenção do alvará de construção.

E, por fim, a vitória definitiva acontecerá com a desapropriação dos terrenos, ou com sua permuta por outros bens públicos, como a prefeitura já tentou negociar.

Com o apoio de todos, podemos barrar a especulação imobiliária e transformar esse terreno, no coração de São Paulo, em mais um equipamento público para a cultura, para o meio ambiente urbano e para a qualidade de vida dos atuais moradores do bairro do Bixiga.