
DPME,
SPPREV, DRHU e DE: as siglas do desespero
23 de novembro de 2011
A poderosa máquina
administrativa que cuida da movimentação
dos servidores públicos do Estado de São
Paulo anda mal das pernas. E quem arca,
de imediato, com as consequências desse
trôpego funcionamento é o servidor público.
Não bastassem o achatamento salarial,
as difíceis condições de trabalho e a
campanha generalizada impondo ao trabalhador
a responsabilidade pela baixa qualidade
do serviço público, o servidor tem que
se haver com o estresse da traquitana
burocrática.
O caso do DPME
é emblemático: propositadamente centralizado,
desorganizado e com problema crônico de
falta de funcionários. A perda de documentos,
o atendimento desumano e precário, a demora
insana na marcação de perícias junto à
falta de objetividade nos exames e nas
informações do resultado, que deixam funcionários
e unidades de trabalho sem saberem o que
pode acontecer, são alguns dos seus problemas.
Já fizemos inúmeras sugestões para a melhoria
do atendimento prestado pelo DPME; provavelmente
as mesmas se perdem no anarquizado setor
administrativo do órgão. Na verdade, nessa
instituição, apelidada pelos usuários
de “Casa dos Horrores”, tudo pode acontecer.
Entre as centenas de casos um é especialmente
ilustrativo: um servidor do sistema penitenciário,
incapacitado para o trabalho, tenta há
quatro anos marcar perícia para aposentar-se
por invalidez, como indicam os laudos
médicos.
O SPPREV, criado
para resolver problemas na aposentadoria
dos servidores, tornou-se uma superestrutura,
acima do bem e do mal, blindada, que não
presta informações aos servidores, não
orienta a máquina administrativa responsável
pela tramitação de documentos e causa
uma série ininterrupta de idas e vindas
dos documentos pessoais dos servidores.
Os mortais comuns não sabem o que se passa
lá. Os poucos funcionários desse órgão
são proibidos de darem informações.
DRHU e as DEs,
órgãos da Secretaria Estadual de Educação,
completam esse calvário. Em que pese a
boa vontade dos funcionários do DRHU,
os documentos da vida funcional dos servidores
vão e voltam com a maior naturalidade
e, claro, estão sempre voltando ao “início
da fila”. Os papéis fazem essa procissão
por “pequenos erros”. Se o erro é apontado
pelo SPPREV, o documento volta para o
DRHU, para a DE, para a escola. E depois
recomeça tudo, no início da fila. Não
é raro uma certidão de tempo demorar um
ou dois anos para ser emitida. Tampouco
é incomum encontrarmos professores que
já cumpriram as exigências de tempo e
idade, mas ainda esperam a aposentadoria
há um ano, há dois anos. Caso exemplar
é a DE Sul 3, onde raramente uma certidão
é feita antes de dois anos. Os grandes
prejudicados são os servidores, os equipamentos
públicos onde os serviços são prestados.
A população de forma indireta também paga
por isso.
O quadro acima
foi descrito com a economia de palavras
que o espaço exige, mas certamente está
assim estabelecido. Não por falta de sugestões,
de cobranças, de ofícios, indicações,
requerimentos de informação, telefonemas,
reuniões, etc.
É inadmissível
que o estado mais rico da federação faça
vistas grossas a esse descalabro. É sarcástico
que o estado com o segundo orçamento do
país tenha ouvidos moucos para as necessidades
e direitos dos seus servidores, que despreze
a tecnologia para agilizar soluções, que
não invista na melhoria de sua máquina
administrativa burocrática no que diz
respeito aos serviços prestados aos seus
próprios servidores.
Incompetência ou
propósito?
Com a palavra,
não para explicações retóricas, mas para
apresentação de soluções, as autoridades.
Carlos Giananzi
é deputado estadual pelo PSOL