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- Comentar este assunto com o Professor Carlos Giannazi

 

Contra a demissão em massa de professores, Giannazi exige a convocação dos mantenedores da Anhanguera e UniSanta’Anna

29 de dezembro de 2011

O professor e deputado Carlos Giannazi pediu a convocação dos dirigentes das redes Anhanguera Educacional e UniSanta’Anna nas comissões permanentes de Educação e Cultura (da qual é membro titular) e de Relações do Trabalho da Assembleia Legislativa para explicarem a demissão coletiva de centenas dos quase mil professores (mestres e doutores) sem a mínima justificativa, no caso da Anhanguera (mantenedora da Uniban , UniABC e da Senador Fláquer, toras recém-adquiridas pelo grupo e de onde foram demitidos 680 docentes). No caso da UniSanta’Anna a universidade vem atrasando salários, parcelas do 13º e ignorando depósitos do FGTS.

Além disso, o deputado marcou para o dia 8 de fevereiro uma audiência pública, às 15 horas no Plenário Franco Montoro da ALESP, para debater os problemas e organizar a luta contra as demissões, a precarização e os ataques que os donos das faculdades privadas vêm promovendo, ações estas que penalizam os professores. “O MEC tem de intervir em defesa dos professores e não permitir mais que os privastistas e mercadores da Educação transformem o ensino em puro lucro e mais valia, explorando de forma selvagem e desumana os profissionais da Educação do ensino superior", disse Giannazi.

O Sindicato dos Professores de São Paulo (SINPRO-SP) já entrou na Justiça contra as demissões na Anhanguera e denunciou novamente a UniSanta’Anna à Gerência Regional do Trabalho.

 

Leia, abaixo, a carta aberta ao ministro da Educação Fernando Haddad, redigida pelo Coletivo dos Professores demitidos da Anhanguera

Exmo. Sr. Ministro da Educação Dr. Fernando Haddad

Os Professores demitidos pelo conglomerado Anhanguera Educacional Participações S/A em todo país alertam o sr. para a truculência dedicada aos mestres e doutores com a demissão em massa e o aviltamento de salários como práticas recorrentes da referida instituição.

Professores qualificam-se com titulação de mestres e doutores e são penalizados exatamente porque estudam.

Esse é o exemplo que o Brasil dará aos estudantes?

Que o empenho nos estudos é para ser descartado e apenas aqueles que não procuram aprofundar-se em sua carreira profissional serão premiados?

Será que faremos a exaltação do demérito e não do mérito?

Os empresários do ensino universitário privado imaginam que vivemos no Brasil colonial, em que as elites transitavam impunemente com seus desmandos pelos palácios e eram recebidas em audiência pelo governante de plantão com bajulação ilimitada.

Todavia, o Brasil republicano exige do sr. providências no sentido de impedir a concentração em cartéis e monopólios da educação, pois a educação é direito da cidadania e jamais pode ser transformada em mercadoria, como fazem os barões do ensino.

Exortamos ações efetivas do MEC no sentido de enquadrar o patronato do ensino na legislação, bem como adverti-los sobre suas responsabilidades sociais.

A ganância pode até ser interessante para os negócios.

Mas seu caráter predatório é péssimo para nosso país.

Por exemplo, o ensino a distância transformou-se em fonte bilionária para os donos de escolas, quando deveria ter caráter complementar e, principalmente, ser levado a regiões remotas do país.

Nos centros urbanos, a adoção desse recurso tecnológico tem servido apenas para a demissão em massa de professores e para a conversão das horas/aula presenciais em ensino longínquo, verdadeiro engodo para incautos.

As empresas do ramo zombam da população com suas propagandas enganosas sobre a necessidade imprescindível de incrementar a formação a partir dessa modalidade.

Cursos de formação de professores, de profissionais na área de prestação de serviços, de construção e saúde, tecnológica etc. — fundamentais para nossa sociedade — não podem ser objeto de precariedades resultantes da falta de interação professor-aluno. Afinal, o pedagogo precisa saber ensinar, o médico diagnosticar e curar, entre outras competências e habilidades obrigatórias fornecidas pelo ensino presencial de qualidade.

Ademais, é estranho que o MEC continue a subsidiar com recursos públicos verdadeiras arapucas, mormente aquelas que são reiteradamente reprovadas pelos próprios instrumentos de fiscalização desse Ministério de Educação e Cultura.

A UniABC-Anhanguera chega ao desplante de elaborar a seguinte confissão em seus folhetos publicitários.

Na expectativa do cumprimento de suas atribuições como Ministro de um governo que luta pela inclusão, aguardamos ativamente por suas deliberações a respeito do demandado pela sociedade e dos anseios dos educadores, que merecem ser respeitados e jamais podem ser espezinhados, sob quaisquer pretextos.