
Deputados
tomam posse em SP. E tucano deve comandar
a Casa
Sergio
Kapustan - 14/3/2011 - 22h04
17 de março de 2011
A primeira tarefa dos
94 parlamentares estaduais é eleger a
Mesa Diretora. O favorito para assumir
a presidência é Barros Munhoz. Como na
eleição passada, deverá derrotar o mesmo
adversário.
Enquanto o Congresso Nacional já trabalha
há 45 dias, toma posse hoje a 17ª Legislatura
da Assembleia Legislativa de São Paulo,
eleita em 3 de outubro do ano passado.
A primeira tarefa dos 94 deputados será
eleger a Mesa Diretora para o biênio 2011-2013.
Como de praxe, desde 1995,
quando o PSDB assumiu o governo paulista,
os tucanos devem conquistar a presidência
com folga, graças ao apoio de diversas
bancadas, entre elas, o PT, o PV, o PDT,
o PSB, o PTB, o DEM e o PMDB.
Somente em 2005 é que
os tucanos foram derrotados, quando foi
eleito o democrata Rodrigo Garcia. Ele
superou Edson Aparecido por apenas dois
votos – 48 contra 46.
O nome indicado para assumir
a presidência hoje, é o de Barros Munhoz.
O tucano presidiu a Casa na segunda metade
da legislatura passada – de 15 de março
de 2009 a 14 de março de 2011 – em chapa
única. Seu adversário é o "candidato
alternativo", Carlos Giannazi (PSol).
Barros Munhoz e Carlos
Giannazi já haviam disputado a eleição
naquela ocasião. O tucano obteve 92 votos
e Giannazi dois. Em comparação à eleição
passada, a composição de forças políticas
na Assembleia não mudou em favor de Giannazi.
Petistas e tucanos, por exemplo, que somam
junto cerca de 50 votos, estão fechados
com Munhoz.
Ao lançar sua candidatura,
o parlamentar de oposição afirmou que
a Assembleia "é um anexo" do
Palácio dos Bandeirantes", numa referência
à maioria governista que, segundo ele,
prejudica a independência do Legislativo
paulista. "A Assembleia não legisla,
não fiscaliza e não representa a população
nos seus interesses mais importantes",
criticou Giannazi.
Consenso
– Barros Munhoz foi ministro da Agricultura
no governo Itamar Franco, prefeito de
Itapira e líder do governo José Serra.
Segundo reportagem da Folha de São Paulo,
veiculada na sexta-feira passada, ele
é acusado num processo sigiloso de participar
do desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres
da Prefeitura de Itapira, em 2004.
A investigação, segundo o jornal, provocou
o bloqueio do seu patrimônio pessoal.
Munhoz negou a acusação. Segundo o presidente,
a denúncia tem motivação política. Aliados
do tucano saíram em defesa do presidente
e reforçaram o apoio à sua candidatura.
O líder do governo, Samuel Moreira (PSDB),
por exemplo, afirmou ontem à noite que
a candidatura de Munhoz não sofreu qualquer
tipo de restrição. "Sua candidatura
está estável", declarou.
Costura – Para iniciar
um novo mandato, o presidente costurou,
primeiro, o apoio dentro do PSDB. Logo
após a eleição, esp eculou-se internamente
a candidatura de Bruno Covas, neto do
governador Mário Covas, e deputado estadual
mais votado. Bruno foi convidado a assumir
a Secretaria do Meio Ambiente e deixou
o caminho livre para o companheiro de
partido.
Paralela à negociação
partidária, o tucano articulou o apoio
do PT e dos demais partidos para dirigir
a casa. Maior bancada, com 24 deputados
eleitos, o PT manteve a primeira secretaria,
com a indicação de Rui Falcão, e a quarta-secretaria,
com a indicação de Telma de Souza.
A primeira secretaria
é o segundo cargo mais importante, pois
cuida da parte administrativa da Assembleia.
O DEM e o PV devem indicar os nomes para
a segunda e terceira secretarias. As quatro
vice-presidências serão preenchidas por
PTB, PPS e PSB.
Durante o final da legislatura,
Barros Munhoz defendeu o fortalecimento
do parlamento. Uma de suas ações foi liderar
uma aliança com os presidentes de outras
assembleias para aprovar uma Proposta
de Emenda à Constituição (PEC), que desse
mais autonomia legislativa aos parlamentares
regionais.
Maioria
– Segundo a proposta, as Assembleias Estaduais
poderão legislar sobre algumas matérias
de competência da União e do Congresso,
como, por exemplo, transporte, saúde e
educação.
Eleição interna à parte,
o governador Geraldo Alckmin terá maioria
folgada na Assembleia Legislativa, com
mais de 60 cadeiras. Na sessão de hoje,
o vice-governador, Guilherme Afif Domingos,
entregará ao presidente a mensagem do
governador.
"A Assembleia não
legisla, não fiscaliza e não representa
a população nos seus interesses mais importantes"
Carlos Giannazi