
Professor
de SP já pode denunciar problema em escola
05 de março de 2010
Sarah Fernandes
Número insuficiente de
vagas, falta de carteiras e necessidade
de reformas. Os professores do estado
de São Paulo que se depararem com problemas
como esses já podem fazer denúncias a
órgãos públicos, a sociedade e a mídia.
Isso porque a Assembleia Legislativa de
São Paulo revogou, no final de fevereiro,
a apelidada “lei da mordaça” que impedia
os servidores de darem declarações públicas
contra o governo, sob pena de punições.
O texto sancionado alterou
o artigo 242 da lei nº 10.261, de 28 de
outubro de 1968, que delimitava proibições
e deveres a que os servidores públicos
e estaduais estavam submetidos. Foi revogado
o inciso 1, que proibia os funcionários
a se referirem de maneira depreciativa
“em informação, parecer ou despacho, ou
pela imprensa ou por qualquer meio de
divulgação, às autoridades constituídas
e aos atos da administração”.
“Essa lei, da época da
ditadura militar, hoje é inconstitucional.
Ela vai contra o artigo 5 da Constituição
de 1988, que garante liberdade de expressão”,
avalia o deputado estadual Carlos Giannazi
(PSOL), que entregou o pedido de revogação
no Supremo Tribunal Federal (STF). “Não
são só os professores que poderão reclamar.
Médicos e enfermeiros também poderão denunciar
falta de equipamentos em hospitais, por
exemplo”.
Antes de ser deputado,
Giannazi era diretor de escola pública
e foi enquadrado duas vezes na lei por
fazer denúncias sobre falta de vagas em
escolas da zona sul da capital paulista.
“Em casos como esses os funcionários podiam
ficar sem receber salários e até serem
exonerados”, conta. Ele entregou um projeto
de lei a Assembleia Legislativa que repara
os servidores que sofreram punições devido
a lei da mordaça a partir de 1988. Entre
2003 e 2009 seis servidores estaduais
foram punidos por desacatarem a lei, segundo
um levantamento da organização não-governamental
Ação Educativa nos diários oficiais de
São Paulo.
Depois do estado de São
Paulo revogar a lei, o prefeito de São
Paulo, Gilberto Kassab (DEM) enviou um
projeto à Câmara Municipal para for fim
na lei dentro do município. “Tudo o que
acontece em São Paulo repercute no país.
Esperamos um efeito dominó”, finaliza
Giannazi. Mais de dez estados brasileiros
mantêm leis que impedem funcionários públicos
de darem declarações públicas contra o
governo.