
Fora
do tom
Alunos
da antiga Universidade Livre de Música
participam de audiência pública para protestar
contra mudanças nos cursos
17
novembro 2010

foto:
Fernando Moraes
Na
noite de terça (9), alunos e ex- professores
da Escola de Música do Estado de São Paulo
(Emesp), antiga Universidade Livre de
Música – Tom Jobim (ULM), reuniram-se
para uma audiência pública na Assembleia
Legislativa, convocada pelo deputado estadual
Carlos Giannazi (PSOL). O motivo do encontro
é a insatisfação crescente dos estudantes
com o ensino e a administração da escola,
desde quando a Organização Social de Cultura
Santa Marcelina assumiu o controle da
instituição em 2008. Eles reclamam de
um corte de 50% do corpo docente, de uma
diminuição da carga horária dos professores,
da falta de correpetidores (profissionais
que acompanham as aulas de canto, por
exemplo, com outros instrumentos como
o piano) e da inexistência de um plano
pedagógico.
“A
ULM oferecia 3 000 vagas para alunos de
música, mais 500 para cursos livres. Agora
o total caiu para 1800”, contou a representante
dos estudantes, Luciane Valle.O grupo
diz ainda que a separação de alunos em
ciclos por idade e por mérito desrespeita
a diversidade descente e exclui candidatos
de faixas etárias não contempladas.”A
escola perdeu seu formato funcional. Os
alunos sofrem descontinuidade”, afirma
o estudante de canto Fabrícius Almeida.
Paulo
Zuben, diretor executivo da Emesp, diz
que a proposta é desenvolver um formato
de escola de alta performance profissionalizante,
em música erudita e popular, inspirado
no que há de melhor no mundo todo. Quanto
à questão do quadro de funcionários, explica:
“Eles eram contratados por uma cooperativa,
hoje não há mais funcionários terceirizados.
Em vez de cair pela metade, o número de
funcionários aumentou 20%”. Nesta semana,
os alunos receberam um comunicado da direção
para esclarecer os planos para 2011, quando
os cursos divididos por ciclos começarão
a ser ministrados. “Escolas públicas têm
grande demanda. O número de vagas diminuiu,
pois estávamos sobrecarregados. Não podemos
manter os estudantes eternamente.
Foi
estabelecida a meritocracia para o avanço
do aluno”, declarou o secretário estadual
de Cultura, Andrea Matarazzo. “Queremos
que o estudante se profissionalize, entre
para as melhores orquestras. Os correpetidores
ajudavam um por um, queremos universalizar”,
completa Zuben, que garante que quem se
matriculou antes das mudanças poderá se
formar dentro do molde anterior. Alunos
e direção precisam, literalmente, se afinar.
Isabella
Villalba