App de aulas remotas não protege dados pessoais de estudantes e professores

24 de junho de 2020 –

 

Carlos Giannazi (PSOL) pediu ao Ministério Público abertura de investigação sobre a “doação” do app Centro de Mídias SP oferecido ” aparentemente sem ônus ” para o gerenciamento das aulas remotas. O software, que está sendo usado em São Paulo, Paraná, Amazonas e Pará, disponibiliza dados pessoais de seus 7,1 milhões de usuários à IP.TV, empresa que tem no portfólio a TV Bolsonaro e o aplicativo de streaming Mano, usado na campanha eleitoral para evitar o bloqueio de fake news.

Membro titular da Comissão de Educação da Alesp, Giannazi também exige esclarecimentos do secretário Rossieli Soares, que já havia feito negócios com a IP.TV quando ocupou a Secretaria de Educação do Amazonas.

“Na verdade, o modelo de negócio é ter acesso a esses dados”, afirmou Salomão Ximenes, professor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC. Ele e Flávio Boleiz Júnior, professor do Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, participaram da live “O apagão do direito à educação durante a pandemia”, promovida em 16/6 pelo deputado em conjunto com o vereador da capital Celso Giannazi (PSOL).

Para os educadores, as aulas remotas não podem ser consideradas para o cumprimento das 800 horas legais, tampouco os alunos podem estar sujeitos a avaliações. “Temos de criar um grupo de resistência que pense em como superar a crise por meio da educação”, propôs Boleiz.