Corte de energia pode provocar incêndio na Cinemateca

16 de junho de 2020 –

Como encaminhamento do ato solene que denunciou o risco de incêndio da Cinemateca Brasileira realizado em 5/6, por iniciativa dos grupos Frente Ampla e Coletivo Mariana em Movimento , Carlos Giannazi (PSOL) propôs ao Ministério Público Federal a realização de uma audiência pública presidida pelo procurador que cuidará do caso. A medida confere aos depoimentos valor probatório para a instauração de inquérito civil.

 

A ação do MP é urgente porque a Cinemateca deve R$ 450 mil à Enel, que deu prazo até 25/6 para a quitação do débito, caso contrário cortará a energia, desligando o sistema de ar-condicionado do acervo.

 

Sem climatização e inspeções constantes, os filmes de nitrato de celulose usados pela indústria cinematográfica até os anos 1950 ficam sujeitos à autocombustão. Para agravar, esse material produz uma chama que não pode ser extinta com água ou pó químico, já que a própria queima gera oxigênio. Isso já causou quatro incêndios na Cinemateca (1957, 1969, 1982 e 2016). Também as películas mais modernas, de acetato de celulose (safety film), sofrem com o calor e a umidade. Nessas condições, o material libera ácido acético (vinagre), deteriorando as imagens.

 

A crise na fundação vem desde 2013, com a redução dos repasses do Minc e o fim da parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca, e se agravou a partir de 2018, quando a Associação Roquette Pinto foi contratada por dois anos. Em dezembro, cessaram de vez os recursos federais. Os poucos funcionários que restaram estão com salários atrasados desde abril.